NunoSaldanha a

CONFERÊNCIA

Dia 10 de Abril de.2017

Sociedade Martins Sarmento, às 18h30

Em resposta aos avanços dos movimentos da Reforma Protestante, o célebre Concílio de Trento marca um momento de viragem substancial da Arte e da Iconografia cristã, em particular da heterodoxia católica. A questão da Arte e das Imagens só ocupa uma parcela reduzida e derradeira das sucessivas sessões do Concílio, mais precisamente, do seu 3º Período, que decorre entre 1562 e 1563, durante o pontificado de Pio IV.
No entanto, os seus decretos foram sucessivamente repetidos, interpretados e ampliados por diversos escritores, religiosos e laicos, ao longo dos séculos XVI, XVII e XVIII, promovendo assim uma importantíssima revolução artística e iconográfica.
Propõe-se aqui fazer um breve apanhado daquilo que consistiu a nova teoria e práticas da imagem religiosa, mormente no conflito entre as acusações recíprocas de idolatria e iconoclastia entre protestantes e católicos, e a questão do Decoro na Imagem religiosa.
Embora ainda subsistam muitas imagens e tradições da imagética medieval, paralelamente, desenvolve-se a criação de uma nova linguagem iconográfica, que acompanha naturalmente de perto os novos preceitos teológico-religiosos e litúrgicos, a sensibilidade devocional ou a piedade popular – da moderna imagem da Virgem, dos santos, dos Sacramentos, da Paixão, do Martírio, ou mesmo do surgimento de uma iconografia inédita, associada às novas devoções.
Trata-se sem dúvida de um dos períodos mais ricos e interessantes da História da Arte e da Iconografia cristã, e essência para o entendimento da Cultura Visual ocidental da Idade Moderna.