josemariapedrosa

22 de Março de 2016
Sociedade Martins Sarmento, 18:30

Prof. Doutor José M. Pedrosa Cardoso

Sinopse:
A Paixão de Cristo, na liturgia cristã, revestiu a forma de diálogo cantado desde, pelo menos, o século VI. Este canto, adaptando-se às conquistas teóricas da música ocidental, adquiriu, no século XV, formas polifónicas com a participação de três cantores (para os papéis de evangelista, Jesus e os diversos personagens singulares) e um coro (representando os personagens colectivos). Dos manuscritos musicais com a música da Paixão de Cristo, existentes um pouco por todo o mundo, sobressai, pela sua beleza e pela sua qualidade, o SL 11-2-4 da Sociedade Martins Sarmento, cujo fac-símile, estudado e transcrito, foi recentemente publicado à sombra da CEC 2012. Do seu conteúdo, constam frases polifónicas para as Paixões segundo S. Mateus e segundo S. João, que alternam com um cantochão singular, qual o utilizado por todas as igrejas portuguesas e, sobretudo, pelo Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. O canto dramático da Paixão de Cristo constituiu, entre outros elementos, a origem da paixão-oratória de que as Paixões de Bach são exemplos de excelência. Nesta conferência serão consideradas não apenas as bases que entretecem todo o canto histórico das Paixões, mas, sobretudo, as grandes linhas que se cruzam na Paixão segundo S. João, fazendo da mesma uma das obras-primas de J. S. Bach.